O Livro do Cavaleiro - resenha

ALGUMAS PALAVRAS – O LIVRO DO CAVALEIRO

Desde épocas primitivas, o domínio do homem sobre o cavalo assegurava uma posição de destaque entre seu grupo social. Da utilização daqueles como animais empenhados em combate, dentre outros povos, por hititas, egípcios, até se constituindo em uma ordo equestris (ordem) na Roma Antiga e chegando aos cavaleiros especiais de Carlos Magno na Idade Média segue-se um percurso histórico, em que se percebe a afirmação da singularidade daqueles guerreiros, nem sempre ordeiros. Com a Igreja como instância maior do mundo feudal a partir do século X organiza-se um projeto político-ideológico, em que os guerreiros se transformarão em milites christani, isto é, “os soldados de Cristo”. Esse modelo cultural é a base de nossa idéia do cavaleiro-cavalheiro, dono de um código de conduta impecável, com respeito e obediência a Deus, aos nobres, à dama e aos mais necessitados.
Neste livro voltado para o público infantil, com ilustrações e texto bem acurados, Thais Linhares* leva o leitor mirim a ingressar na máquina do tempo e chegar à Idade Média, onde vislumbrará a origem desse homem especial, seu aprendizado, seu modo de vida, os perigos e aventuras reais e ficcionais que experienciava, suas armas, brasões, ordens, enfim, como vivia na História e nas “estórias”. O Livro do Cavaleiro, pois, dirige-se a jovens de todas as idades, colocando-os a partir de uma perspectiva histórico-literária no maravilhoso mundo da imaginação do passado!!


Álvaro Alfredo Bragança Júnior é professor da Faculdade de Letras e do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

*Thais Linhares, assina O Livro do Cavaleiro sob o pseudônimo de Lir.

 

A seguir uma listagem de fontes indicadas pelo professor Álvaro Alfredo Bragança Júnior onde aprofundar o estudo sobre a Cavalaria e a Idade Média:

ALMEIDA, Sérgio Rubens Barbosa de. Manifestações do sagrado na épica medieval: La chanson de Roland, El cantar de Mio Cid e Das Nibelungenlied. Londrina: Editora da UEL, 2000

COSTA, Ricardo da. A guerra na Idade Média. Rio de Janeiro: Edições Paratodos, 1998.

DEMURGER, Alain. Os cavaleiros de Cristo – templários, teutônicos, hospitalários e outras ordens militares na Idade Média. Tradução de André Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.

DUBY, Georges. A sociedade cavaleiresca. Tradução de Antonio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

DUBY, Georges. Guilherme, o marechal ou o melhor cavaleiro do mundo. Tradução de Renato Janine Ribeiro. Rio de Janeiro: Graal, 1987.

DUBY, Georges. O Domingo de Bouvines. Tradução de Maria Cristina Frias. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 1993.

FILHO, Cyro Rezende. Guerra e guerreiros na Idade Média. São Paulo: Contexto, 1996.

LINS, Ivan. A Idade Média: a cavalaria e as cruzadas. 3. edição. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1958.

LLULL, Ramon. O livro da ordem da cavalaria. Tradução de Ricardo da Costa. São Paulo: Giordano, 2000.

MAALOUF, Amin. As cruzadas vistas pelos árabes. Tradução de Pauline Alphene e Rogério Muoio. São Paulo: Brasiliense, 1988.
MONGELLI, Lênia Márcia de Medeiros. Por quem peregrinam os cavaleiros de Artur? Cotia: ÍBIS, 1995.

PASTOUREAU, Michel. No tempo dos cavaleiros da Távola Redonda. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

PRESTAGE, Edgar. A cavalaria medieval. Porto: Civilização, / s.d./

SILVA, Victor Deodato da. Cavalaria e nobreza no fim da Idade Média. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Editora Universidade de São Paulo, 1990.